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Porque moda também faz parte da campanha

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Dilma: a nova Giz-Bün

Meu coraçãozinho quase infartou de aflição quando li o todo-poderoso da SPFW, o Paulo Borges, comparando Dilminha à uma "nova Gisele Bündchen".

Mas a matéria não para por aí, na na ni na não. Estilistas que participam da São Paulo Fashion Week comentaram a escolha da presidenta para o look da posse. Eis aqui algumas frases e minhas respectivas análises sobre o fato de Dilma ter preferido pedir à uma velha conhecida dela para que fizesse a roupa do dia:

"Acho que ela se sentiu insegura em usar uma roupa de designer. Ela poderia ter nos procurado, faríamos algo inovador e adequado", afirma o estilista Waldemar Iodice, dono da Iodice e vice-presidente da Abest (Associação Brasileira dos Estilistas).

Quando leio essa frase, só consigo pensar em dor de cotovelo.

Já a estilista Gloria Coelho aprova a escolha “afetiva” de Dilma. “Ela cresceu no meu conceito quando escolheu um look feito por uma amiga. Quem dá valor aos amigos tem coisa boa dentro de si.”

Taí alguém que falou alguma coisa sensata. Amiga, pensa aqui comigo: Se você precisasse de uma roupa especial para a ocasião mais importante da sua vida você procuraria alguém ou alguma marca que não conhece ao invés daquela sua loja preferida ou da costureira que te conhece desde sempre?

A questão aqui é: Dilminha, você não é assim o que eu chamaria de ícone de estilo, mas admiro muito a sua decisão. 

Sem falar que, se ela usasse Chanel, como eu mesma tinha sugerido, a oposição logo viria dizer que ela esnobou os brasileiros ao usar uma roupa importada e que custa mais do que um trabalhador comum ganha durante dez anos.

Agora, a parte perigosa da matéria:

Além das medidas ligadas a políticas públicas destinadas ao setor, Dilma e Borges fecharam uma parceria esperta. A presidente passa sua agenda para o empresário, e ele faz o meio de campo entre ela e os estilistas.

 Exemplo: Dilma vai a um baile de gala. Borges seleciona experts em looks de festa, reúne peças feitas sob medida para ela e oferece o “lote” à presidente, que escolhe livremente. “Não serão só roupas. Vamos oferecer também bolsas, sapatos, joias e outros acessórios”, diz Borges. 

Isso o que a repórter chama de “parceria esperta”, eu classifico como oportunismo. Desde quando presidenta é it-girl ou vitrine de loja? O tal “lote” que será enviado à Dilma, refere-se aos seus gostos pessoais ou à presidenta que os fashionistas querem para chamar de sua.

Moda e política tem tudo a ver, mas é sempre bom ter um pouco de parcimônia.


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